Aves lideram o caminho, dizem cientistas que pedem cooperação internacional sobre espécies migrantes

Cientistas do British Trust for Ornithology (BTO) ajudaram a revelar quais nações africanas e europeias estão ligadas pelas aves que migram entre elas a cada ano.

Muitas espécies de aves migratórias estão em declínio – essa nova abordagem permitirá que cientistas e formuladores de políticas identifiquem onde a colaboração é necessária para protegê-las, argumentam os autores em um artigo de acesso aberto na revista Conservation Biology.

Cientistas do British Trust for Ornithology (BTO) ajudaram a revelar quais nações africanas e europeias estão ligadas pelas aves que migram entre elas a cada ano. Os cientistas fizeram parte de uma equipe, liderada pelo pesquisador João Guilherme da Universidade de Montpellier, na França, que comparou estudos publicados sobre as rotas de migração utilizadas por 43 espécies que viajam entre a África e a Europa; eles também estabeleceram quais países estavam em cada extremidade dessas jornadas. Esses estudos revisaram todas as tecnologias de rastreamento usadas para seguir pássaros migrantes, onde os indivíduos são equipados com pequenos dispositivos que fornecem suas localizações. Muitas espécies de aves migratórias estão em declínio, algumas vertiginosamente, e essa nova abordagem permitirá que cientistas e formuladores de políticas identifiquem onde a colaboração é mais necessária, se quisermos proteger cada espécie em seus habitats reprodutivos e não reprodutores.

Lesser Kestrel, copyright Glyn Sellors, das galerias surfbirds

Este estudo destaca as necessidades de espécies individuais e os vínculos que elas criam entre os países, permitindo que os conservacionistas extraiam informações importantes com mais facilidade. Por exemplo, embora as populações europeias de algumas espécies, como a andorinha, tenham sido divididas de forma bastante uniforme em vários países subsaarianos fora da época de reprodução, a maioria dos indivíduos de certas outras espécies, como o peneireiro-das-torres, migrou para um único local. Essas informações, argumentam os autores, podem ser usadas para direcionar ações de conservação, incluindo a proteção de locais-chave.

Enquanto isso, as águias-pescadoras da Finlândia viajaram para vários países da África, enquanto a maioria das águias-pescadoras britânicas migrou apenas para o Senegal e a Gâmbia. O fato de populações distintas de uma única espécie adotarem abordagens tão diferentes para a migração confirma que é necessário um esforço internacional coordenado para conservá-las com sucesso.

O ecologista de pesquisa sênior da BTO e autor do artigo, Dr. Chris Hewson, disse: “Até agora, os dados de rastreamento disponíveis sobre a migração de aves afro-palearticas foram fragmentados, tornando difícil obter uma visão geral dos resultados. Ao reunir esses dados em um único recurso, os padrões gerais se tornaram mais claros, ajudando os conservacionistas a identificar quais países precisam cooperar para proteger espécies vulneráveis, permitindo-nos lidar melhor com os declínios e direcionar as discussões políticas com mais eficiência”.

Ele acrescentou: “Em última análise, este artigo é uma demonstração do que a comunidade internacional de pesquisa pode alcançar se trabalharmos juntos para coletar e reunir os
dados necessários”.

O estudo também revelou que os destinos migratórios foram identificados para apenas uma pequena proporção do número total de populações de diferentes espécies.
Além disso, certas regiões, como a Europa Oriental, estavam sub-representadas. Crucialmente, isso significa que muitos links internacionais existentes criados pela
espécies não estudadas de aves migratórias permanecem não detectadas. Ao sugerir espécies e locais prioritários para trabalhos futuros (por exemplo, Cuckoo na Polônia), este estudo incentiva a comunidade científica em geral a preencher algumas dessas lacunas e ajudar a melhorar a sorte das maravilhosas aves migratórias afro-palearctic do planeta.

Você pode ler o artigo completo de acesso aberto aqui (https://conbio.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cobi.14002).

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